quarta-feira, 25 de julho de 2007

A marca da campeã

Maurren Higa Maggi. Ou Simplesmente Maurren Maggi.

Depois da suspensão por dois anos, por causa de doping, a volta por cima.

Ouro na prova do salto em distância, no Pan 2007.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pé na estrada

A crise aérea está provocando um curioso fenômeno no Brasil: as pessoas estão preferindo viajar de ônibus ou de carro próprio, mesmo quando as distâncias são muito longas. Adeus aeroportos e seus dias de balbúrdia, atrasos, tempo desperdiçado, medo.

O negócio agora é cair na estrada, segundo reportagem do site Congresso em Foco:

Assim como aconteceu no ano passado, quando um avião da Gol caiu ao se chocar com um jato, matando 154 pessoas, a previsão é que o movimento nas estradas aumente agora, depois do acidente com o Airbus da TAM, em São Paulo – tragédia que vitimou aproximadamente 200 pessoas.

Mas será que as nossas estradas são seguras? Não, não são:

Segundo o último levantamento divulgado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), ainda em 2006, 75% das rodovias brasileiras têm algum tipo de deficiência.

Em termos de acidentes rodoviários, as estatísticas também não são lá animadoras. Entre janeiro e junho deste ano foram registrados 56.671 acidentes, cerca de 10,56% a mais do que o mesmo período de 2006. O total de mortes (3.111) também supera os de 2006.

Se nem tanto para o ar, nem tanto para a terra, o que fazer?

Não restam alternativas para o consumidor.

Segundo especialista ouvido pelo Congresso em Foco, o problema é de falta de “infra-estrutura crítica”, provocada pelo desmantelamento do Estado iniciado há 15 anos no governo Collor.

A conclusão da reportagem é desalentadora: com tantas dificuldades, talvez os brasileiros passem a viajar menos.

TAM: as mentiras do presidente

A imprensa tratou excepcionalmente bem o presidente da TAM. Mas merece aplausos por ter investigado uma outra parte de seu depoimento: aquela em que promete toda a assistência à família das vítimas. Os repórteres foram buscar as vítimas de 1996, quando outro avião da TAM, um Fokker 100, caiu logo após a decolagem em Congonhas, matando os 99 passageiros e três pessoas que estavam por perto. E descobriram que a empresa continua, onze anos depois, discutindo o pagamento.

Do jornalista Carlos Brickman, em sua coluna Circo da Notícia, no Observatório da Imprensa.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Diário do terror nazista

Os horrores do Holocausto, exaustivamente explorados por historiadores, escritores e diretores de cinema, nos dão a impressão de que nada mais há a ser contado.

Mas a revelação do diário de Rutka Laskier, uma judia polonesa de 14 anos, morta em Auschwitz em 1943, prova que o tema é inesgotável.

Rutka vivia no gueto de Bedzin, com os pais e um irmão pequeno. Em janeiro de 1943, ela começou a registrar seu cotidiano assombrado pela presença do nazismo.

No dia 16 de fevereiro de 1939, escreveu:

Hoje vi um soldado alemão arrancar um bebê das mãos de sua mãe e partir-lhe a cabeça com golpes contra um poste de eletricidade. A mãe enlouqueceu. Fico aterrorizada quando vejo uniformes. Estou me transformando num animal à espera da morte.

Mas o diário registra também flagrantes de ternura da adolescente:

Decidi deixar que Janek me beije. Afinal, alguém terá que me dar o primeiro beijo. Então, que seja Janek. Gosto.

Alguns meses depois ela seria deportada com a família para Auschwitz, onde morreria. Antes de partir, Rutka escondeu o caderno sob as escadas da casa onde morava. Confiou o segredo à amiga Stanislawa Sapinska.

Sapinska voltou ao local no fim da guerra, recuperou o diário e o guardou durante todo esse tempo. Incentivada por um primo interessado na história da Polônia durante a II Guerra, Sapinksa decidiu tornar público o drama de Rutka Laskier.

Sua história tem todos os ingredientes que podem transformá-la num sucesso editorial. Não se sabe se com o mesmo alcance do famoso diário de Annie Frank.

Dylan por Bryan Ferry

Dylanesque, o novo álbum do cantor Bryan Ferry, revisita alguns dos grandes sucessos de Bob Dylan.

“Desculpe, Bob”, disse Bryan.

Mas não há o que desculpar. Não é fácil interpretar canções com uma identidade musical tão forte como as de Bob Dylan.

E Bryan Ferry saiu-se bem do desafio. No vídeo acima ele canta Positively 4th Street, um dos eternos sucessos de Dylan.

sábado, 21 de julho de 2007

Turista americana critica a TAM

Não faz muito tempo, a TAM era considerada um exemplo de eficiência no Brasil. A companhia do capitão Rolim Amaro, morto num acidente aéreo, chegava ao mercado estendendo – literalmente – um tapete vermelho para os seus clientes. Não era mera simbologia. Os aviões da TAM detinham o menor tempo de espera em solo. A pontualidade era uma de suas marcas.

Não era pouco num país em que prazos são constantemente desrespeitados, em qualquer atividade. Nem mesmo o acidente com um Fokker em 1996, também em Congonhas, matando 99 pessoas, abalou o prestígio da empresa. Então veio a crise aérea. De um caso de sucesso, a TAM viu-se engolfada num mar de protestos, críticas e reclamações.

A tragédia do vôo 3054 pode ter representado a gota d´água que faltava para que ruísse o que restava de credibilidade na TAM e em todo o sistema aéreo nacional. A comoção e indignação provocadas pelo novo desastre em Congonhas atravessaram fronteiras.

Elizabeth Spiers é uma escritora americana. Vive em Nova York. Em abril deste ano, ela visitou o Brasil com o namorado para passar alguns dias de férias. Em seus deslocamentos pelo país, voaram pela TAM. Em relato publicado na revista Slate, Elizabeth conta a experiência (acesso livre, em inglês):

A TAM é a pior empresa aérea do mundo. Venho afirmando isso repetidas vezes desde abril, quando eu e meu namorado passamos umas férias curtas no Brasil. Retornamos felizes com a viagem, mas traumatizados com a companhia aérea. Na terça, quando o Airbus 320 da TAM, num vôo doméstico, deslizou para fora da pista, tentou decolar de novo e se chocou contra um prédio de cargas da própria empresa, explodindo com o impacto e incinerando quase 200 pessoas, senti, com raiva (e, OK, com presunção), que minha condenação se justificava.

A roda viva em que Elizabeth e o namorado se viram envolvidos é bem conhecida dos brasileiros que têm viajado de avião:

Voamos de Nova York para São Paulo, depois para Manaus. Voltamos para São Paulo. Daí para o Rio. Voltamos de novo para São Paulo. E depois para Nova York. Isso tudo no espaço de nove dias – um itinerário que já seria brutal mesmo sem complicações -, com atrasos de horas em cada vôo, ou cancelamento. Meu namorado, que é repórter de turismo há 15 anos, e já aterrissou em pistas em sua maior parte de grama, com um terminal e um comitê de boas vindas local cobertos apenas por lama e penas de galinha, insiste: A TAM foi a pior experiência que ele já teve.

Nenhum dos fatores da crise aérea brasileira fica de fora da análise da americana. Mostrando-se bem informada, ela nota as dificuldades de trabalho dos controladores, as limitações da infra-estrutura, principalmente do aeroporto de Congonhas, e os constrangimentos que as autoridades impõem à TAM para operar, incluindo sempre escalas compulsivas em São Paulo.

A conclusão de Elizabeth Spiers é um alerta de que o caos aéreo está prejudicando o turismo no Brasil. Assustada com o que viveu, ela garante: embora o país seja bonito, não pretendo retornar tão cedo.

Björk e os musicais americanos

A cantora islandesa Björk é famosa por experimentar várias referências. Em It´s Oh So Quiet, ela faz uma blague divertida dos musicais americanos. A canção, entremeada com compassos de uma valsa lânguida, é marcada pelo ritmo enérgico de big band.

Parece coisa de Hollywood. Mas é mais uma investida cheia de talento de Björk, que também dança no clip.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O fim de um oligarca

Nos obituários sobre Antonio Carlos Magalhães, que morreu hoje em São Paulo, a marca predominante do respeito e da reverência. A voz dissonante ficou por conta de Daniel Piza, que lembrou em seu blog: morreu um oligarca, mas não a oligarquia:

Ouvia o rádio no carro e soube da morte de Antonio Carlos Magalhães. No Brasil, já escrevi, morrer faz muito bem à reputação. Dizer que ACM "modernizou a Bahia" e que seu filho Luís Eduardo seria um "ACM moderno", como se fosse elogio político, é um equívoco. ACM era o tipo de oligarca que mistura paternalismo e autoritarismo e vem dos tempos da República Velha; era um homem muito, muito rico, sobre quem pesavam suspeitas escabrosas, e que em mais de um episódio se mostrou, digamos, amigo das forças ocultas. Apoiou os militares, dominou a mídia regional, participou de inúmeras armações parlamentares. Espalhou seu nome por toda a Bahia, em muitas obras públicas, colheu abraços de artistas como Caetano Veloso e elogios de jornalistas "de esquerda", e os tucanos fizeram com ele o principal pacto para chegar ao poder. Nada disso significa que a Bahia e o Brasil não poderiam estar melhores se não fosse por ele. E afirmar que era pessoa doce com os íntimos e capaz de dividir ambientes entre os que o amam e o odeiam não torna seu legado mais leve. Por sinal, um oligarca morreu, mas outros seguem firmes e há toda uma mentalidade incrustada no sistema político que é oriunda deles - e se vê nessa ampla confusão entre privado e público, entre laços pessoais e méritos profissionais.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

You Tube: herói ou vilão?

Com cerca de 100 milhões de acessos diários, o You Tube é o maior sucesso da Internet. Sob o slogan “transmita você mesmo”, o mega site passou a representar o ideal de democratização da imagem num universo monopolizado por emissoras de TV e estúdios de cinema.

A promessa de que o You Tube quebraria esse monopólio não se concretizou. É o que acredita Nick Douglas, em artigo na Slate:

Era de se esperar que a Internet transformasse o mundo do vídeo em igualitário. Nunca mais uma oligarquia de provedores de conteúdo – algumas redes de TV, alguns grandes estúdios de cinema – controlaria aquilo que assistimos. A web dá às pessoas criativas uma audiência potencial de milhões, bem como incontáveis espaços para mostrar suas criações. Mas não é o rumo que as coisas tomaram. O vídeo na web não é uma oligarquia, é uma ditadura. Ou você está no You Tube, ou ninguém está assistindo.

Essa dominação acaba criando um mal-entendido, o de que achamos que web video é sinônimo do que aparece no You Tube. Isso, segundo Nick Douglas, tem limitado o significado do que pode ser video on line, e por causa dessa hegemonia outras opções inovadoras ficam eclipsadas.

Embora o You Tube não represente a única plataforma em que se pode veicular vídeos, acaba abocanhando 60% do tráfego on line. Além disso, Nick Douglas lembra que o site não foi o pioneiro em abrigar vídeos, mas o primeiro a fazê-lo bem. Inovações como o formato Flash, eliminando a exigência de plug-ins, asseguraram o sucesso da iniciativa. Outro fator determinante é que seus criadores não se apressaram em abolir conteúdo protegido por copyright.

O poder do You Tube é esmagador. Nick Douglas fornece um exemplo. Em agosto de 2006, um sujeito chamado Noah Kalina postou um mesmo vídeo simultaneamente no Vimeo e no You Tube. Foram registrados, desde então, 6 milhões de visitas no You Tube, contra apenas 100 mil no Vimeo.

Então, ante domínio tão avassalador, Nick Douglas indaga: de que forma outros sites poderão competir?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Aterrisando num porta-aviões

A pista de 1.939 metros do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, tem sido repetidamente criticada como perigosamente curta. No dia anterior, dois aviões derraparam com tempo chuvoso.

Os pilotos a chamam de porta-aviões.

É tão curta, e rodeada por bairros densamente povoados, que os pilotos são avisados para decolar e voar em círculos, caso ultrapassem os primeiros 300 metros de pista.

Por contraste, o aeroporto LaGuardia, em Nova York, tem 2.135 metros de pista que acomoda aviões similares, de acordo com a Administração de Aviação Federal dos Estados Unidos.


Trecho da matéria do correspondente Stan Lehman, da Associated Press, sobre a tragédia de ontem em São Paulo.

Muitas são as hipóteses que tentam explicar as causas do desastre com o Airbus da TAM: ausência de grooving (ranhuras que ajudam a escoar a água da pista), falha do piloto - que teria tocado o solo além do ponto permitido e tentado decolar de novo -, excesso de peso, problemas mecânicos na aeronave, acquaplanagem.


Será preciso esperar 10 meses para que o resultado das investigações seja conhecido. Mas, se for tomado como parâmetro a infra-estrutura do LaGuardia, apenas um pouco mais de pista em Congonhas poderia ter evitado uma catástrofe.

Foto: Agência Estado